Jaraguá Breakers

O início 

A história da criação do Jaraguá Breakers foge do comum. Enquanto a maioria dos times surgiu nas praias ou parques públicos de suas cidades, o Brekers surgiu de uma brincadeira de amigos na Escola de Ensino Básico Prof° José Duarte Magalhães. No começo a bola era feita de cartolina, depois “evoluiu” para um estojo de lápis e, por fim, a primeira bola de futebol americano. 

Tudo isso aconteceu em 2003 e os garotos eram Tiago Dalcanale, Everton Gnewuch, Richard Bryan Franzner, Claudio Adriano Starosky, Rodrigo Boeder, entre outros. Os garotos de Jaraguá do Sul começaram a estudar e treinar com mais frequência, até que em 2006, junto com Joinville Panzers, Brusque Admirals e Floripa Istepôs, fundou a Liga Catarinense de Futebol Americano e disputou seu primeiro torneio. Não existem muitos registros do torneio, mas o Breakers terminou na quarta colocação. 

No Catarinense de 2007, venceu três partidas e perdeu outras cinco, terminando a temporada na última colocação. 

Antes de iniciar a temporada de 2008 do Catarinense, o Jaraguá realizou seu primeiro jogo contrau um time de fora do estado. No dia 6 de abril de 2008, recebeu o Ponto Grossa Black Knights do Paraná para uma partida amistosa. O Breakers perdeu por 13 a 6. 

No Catarinense de 2008, o Breakers iniciou vencendo o Timbó Rhinos, um dos estreantes da temporada, por 23 a 14, o Guaruva Hurricanes por 7 a 0 e o Floripa Istepôs por 25 a 18. Na quarta rodada, enfrentou o Caxias Panzers, atual bicampeão estadual e perdeu por 25 a 0. Após a derrota, venceu Rhinos, Tubarão Predadores e Hurricanes. Como na sequência de vitórias anterior, o Breakers perdeu na última rodada para o Panzers. 

Nos playoffs, enfrentou o Brusque Admirals e venceu o atual duas vezes vice-campeão estadual, chegando a sua primeira final. Na grande final, voltou a enfrentar o Panzers e perdeu pela terceira vez, 6 a 0 para o tricampeão estadual. 

Em 2009, o Campeonato Catarinense passou a ser equipado e o Breakers não conseguiu se equipar em tempo hábil, ficando de fora da edição. 

O primeiro torneio nacional 

O Breakers voltou para o Catarinense em 2010 e não conseguiu fazer uma boa campanha. Disputou sete partidas, perdeu cinco e venceu apenas duas contra o Corupá Buffalos e Blumenau Riesen. No segundo semestre, o time de Jaraguá disputou seu primeiro torneio nacional, a segunda edição do Torneio Touchdown. A campanha não foi boa, perdeu para o Ponta Grossa Phantoms duas vezes, uma para o Curitiba Hurricanes e venceu a segunda e última partida do ano contra o time da capital paranaense. Em todas as partidas as derrotas vieram com uma posse de bola de diferença, uma vantagem pequena para um time que estava estreando em campeonatos equipados. 

Antes de iniciar o Campeonato Catarinense, o Breakers disputou o 1º Torneio BC Futebol Americano de Praia, que também contou com a participação do Balneário Camboriú Lobos do Mar e Corupá Buffalos. Breakers e Corupá terminaram a primeira fase com 3 vitórias e uma derrota cada, na final o Breakers estava perdendo por 14 x 0, mas a o time reagiu e empatou a partida em 14 x 14. No overtime a equipe de Jaraguá virou e venceu o torneio. 

Assim como no ano anterior, a campanha do Breakers no Catarinense de 2011 foi muito ruim. O time de Jaraguá começou bem, venceu o Rhinos fora de casa e o Istepôs em casa, mas o bom início foi freado pelo Joinville Gladiators, atual campeão. Após essa derrota, o Breakers perdeu para o Blumenau Riesen, Rhinos e Corupá Buffalos, voltando a vencer apenas na última rodada, novamente contra o Blumenau Riesen. Mesmo com a fraca campanha, o Breakers se classificou para os playoffs após a desistência do Rhinos, que saiu da competição por divergências. Na final, enfrentou o Gladiators e perdeu por 28 a 7. 

A história no Torneio Touchdown de 2011 foi bem diferente. O Breakers estreou em casa contra o Curitiba Predadores e se impôs. O primeiro touchdown veio após um punt do próprio Breakers em que a bola ficou viva e o linebacker Igor recuperou ela dentro da end zone. O time da casa aumentou a diferença com o field goal do kicker Hoffman, um retorno de punt do Clair seguido do touchdown do wide receiver Pinga e uma pick six do Tiago Dalcanale, finalizando o primeiro tempo em 22 a 0 para o Breakers. No segundo tempo, o Predadores marcou após interceptar o quarterback Bexiga e com uma boa corrida do running back Bauer. Pressionado pelos dois touchdowns do time curitibanos, o Breakers conseguiu um safety e mais dois touchdowns, um corrido do Bexiga e outro do Andrey. Vitória do Breakers por 36 a 12. 

Na segunda rodada, enfrentou o Ribeirão Preto Challengers e venceu apertado. O jogo marcou a estreia de vários reforços e do head coach Dennis Prants, pioneiro do futebol americano em Santa Catarina. Com um field goal do kicker Hoffmann e touchdowns do quarterback Bixiga e do wide receiver Everton, o Breakers se manteve invicto no Torneio Touchdown. O terceiro jogo foi contra o forte Vasco da Gama Patriotas no Rio de Janeiro. O head coach Prants jogou como quarterback e colocou o Breakers na liderança após passar para o wide receiver Everton Gnewuch, mas o Patriotas reagiu logo no drive seguinte e não deu mais espaço para os catarinenses, vencendo por 29 a 6. 

Na última rodada, o Breakers recebeu o Santos Tsunami. O Breakers saiu na frente após um passe do Prants para o wide receiver Pinga e aumentou a diferença logo na sequência com o defensive end Jean Cunha, que recuperou um fumble sofrido pelo ataque santista. O Tsunami diminuiu ainda no primeiro tempo com o wide receiver Fábio Jamaica, que recebeu um passe de aproximadamente 50 jardas. 

O Breakers voltou para o terceiro quarto melhor e logo na primeira campanha anotou mais um touchdown com Pinga, mas sem extra point. O restante da partida foi dominada pelas defesas e o Breakers só voltou a pontuar após a defesa forçar um safety. Com a vitória por 22 a 7, o Breakers precisava vencer o último desafio e contar com tropeços de Steamrollers, Patriotas e Buffalos para seguir adiante. 

O Breakers fez sua parte, viajou para Santo André/SP e derrotou o ABC Corsários por 35 a 0, mas foi eliminado após as vitórias de seus três adversários de conferência. 

A primeira vez nos playoffs nacionais 

Assim como sua participação anterior, o Jaraguá Breakers continuava a decepcionar no Campeonato Catarinense. A temporada começou com uma derrota para o Breakers e uma vitória esmagadora sobre o Itapema White Sharks, mas as coisas começaram a piorar na partida contra o Corupá Buffalos. O time estava muito desfalcado e foi facilmente dominado pelo adversário, o que também aconteceu no jogo contra o Istepôs na rodada seguinte. 

Com problemas para conseguir um campo para jogar e afirmou em nota não ter “condições financeiras e estruturais de se manter no campeonato, para que os jogos e as finais do mesmo não sofram atrasos, o time concorda que a melhor solução é a retirada imediata da competição e com isso não atrapalhar ainda mais o andamento do mesmo.” Com a desistência da competição, o Breakers perdeu por W.O. para o Bárbaros do Vale e Criciúma Slayers. 

A participação no Torneio Touchdown parecia comprometida, mas o time conseguiu fechar um acordo com o Grêmio Esportivo Cruz de Malta e realizou suas partidas no estádio Eurico Duwe. Na estreia, o Breakers viajou até Mauá/SP para enfrentar o ABC Corsários e não respeitou o adversário em sua casa. Com uma atuação perfeita do ataque, venceu o Corsário por 74 a 7, com destaque para os running backs Clair José, Richards e para a defesa, que retornou quatro interceptações e dois fumbles para o touchdown. 

Na estreia em sua nova casa, o Breakers seguiu perfeito ofensivamente e defensivamente. O primeiro touchdown veio após uma corrida do Clair José, seguido por outro do wide receiver Junior e do tight end Pinga. O time santista tentou uma reação no início do terceiro quarto, mas seu ataque não anotou mais que um touchdown. O retornador Nazgul correu 70 jardas e marcou mais um touchdown logo na sequência. Para finalizar os running backs Clair José e André Bertling deram números finais ao placar, 41 a 6. 

Diante de mais de 1300 pessoas, o Breakers recebeu o Vasco da Gama Patriotas e começou melhor. O quarterback Diogo Fragoso encontrou o tight end Pinga livre para marcar o touchdown. O Patriotas não demorou para empatar, Roni encontrou o wide receiver Lipe para marcar o touchdown. As defesas tomaram conta do jogo e os ataques pouco produziram no segundo tempo. O Patriotas conseguia avançar com as corridas do running back Neguinho e conseguiu virar com o field goal do kicker Ryan Homem. O Breakers tentava avançar, mas a forte defesa vascaína impedia todas as suas tentativas. No final, Ryan acertou outro field goal e garantiu a vitória do time carioca, 13 a 7. 

Depois de duas partidas em casa, foi a vez do Breakers viajar até Porto Alegre para enfrentar o Porto Alegre Bulls e voltou a ter uma ótima atuação. Com três safeties da defesa, quatro touchdown do Clair José, e dois do Junior Sharks e Nazgul, o Breakers venceu por 60 a 0. 

O próximo adversário era o T-Rex, seu rival catarinense. Os dois times vinham de vitórias e estavam disputando o segundo lugar na Conferência. O jogo foi dominado pelas defesas e a primeira pontuação saiu no segundo quarto, após o cornerback Castilho interceptar o quarterback do Rex e retornar para o touchdown. O empate do Rex veio após a recepção do wide receiver Diegão. O último quarto continuou equilibrado e a virada do Rex veio após o kicker João acertar um chute de 48 jardas. Com pouco tempo no relógio, o Breakers ainda teve a chance de pontuar, mas a defesa do T-Rex não permitiu o avanço do time. A partida terminou 10 a 7. 

Pela terceira rodada seguida, o Breakers precisou viajar, dessa vez foi para Arujá enfrentar a Lusa Rhynos. Com mais uma grande atuação do Clair José, que marcou quatro touchdowns, o Breakers venceu com facilidade, 57 a 0. Na semana seguinte, dessa vez em casa, o Breakers garantiu a vaga nos playoffs do Torneio Touchdown após vencer o Botafogo Challengers, com touchdowns dos wide receivers Mota e Junior, field goal do Hoffmann e um safety do Dallmann, por 26 a 6. 

Nas quartas de finais, voltou a enfrentar o Patriotas, dessa vez no Rio de Janeiro. Em um jogo digno de playoffs, o Breakers largou na frente com um QB sneak do Diogo Fragoso. O kicker Hoffmann, que raramente errava extra points, errou dessa vez e isso foi decisivo no final. Em um jogo dominado pelas defesas, bastava uma oportunidade para qualquer um dos times vencer e foi o que aconteceu no terceiro quarto. O Patriotas conseguiu o empate após uma ótima corrida do running back Leduc e virou com o extra point do kicker Ryan. O Breakers teve duas chances para virar a partida, mas o Hoffmann desperdiçou dois field goals, um de 32 jardas e outro de 37 quando faltavam 30 segundos para o término da partida. O sonho do título ficou pelo caminho, mas o time voltaria mais forte na temporada seguinte. 

O título nacional 

O ano de 2013 era especial para o Jaraguá Breakers, o time estava completando 10 anos e se preparou para fazer desse um ano glorioso. Focado no Torneio Touchdown, o Breakers não participou do Catarinense, torneio que só voltou a competir em 2017, e trouxe diversos reforços, destaque para os americanos Julian Banks e Jacob Payne. 

A estreia aconteceu no dia 8 de junho contra a Lusa Rhynos em Leme/SP e o Breakers não deu chances ao adversário. Jacob Payne foi o grande destaque da partida, correu 96 jardas e marcou um touchdown logo na primeira jogada e conseguiu outras três pick six. Os wide receivers Tiago Dalcanale (2x) e Motta, o quarterback Julian Banks e o field goal do kicker Tafarel deram números finais a partida, 49 a 0. 

A segunda partida era em casa e o adversário era o T-Rex, que agora contava com o running back Clair José no elenco. A torcida compareceu em peso, foram mais de 2500 pessoas no Estádio João Marcatto, e o time não decepcionou. Com mais uma atuação impecável do americano Jacob Payne, que marcou três touchdowns, o Breakers venceu o T-Rex. 

O Breakers continuou implácavel e não tomou conhecimento do Juventude Gladiators fora de casa. A defesa do Breakers não conseguiu parar o time catarinense no primeiro quarto e levou incríveis nove touchdowns, dois do Jacob Payne e um dos atletlas, Rodolfo, Ruhan Jiovani, Giovani Takanage, Leandro Gabriel, Tiago Dalcanale e Buiu. Mesmo com uma vantagem de 57 pontos, o Breakers não parou no segundo tempo, Tiago marcou se segundo touchdown e Julian Banks fechou o placar, 57 a 7. 

Mesmo tendo vencido seus três primeiros jogos com certa facilidade, o Breakers não era o favorito, mas isso mudou no dia 25/08. O palco era o João Marcatto e o adversário o Corinthians Steamrollers, outro time invicto e atual bicampeão do Torneio Touchdown. O Breakers não demorou muito para abrir o placar com o running back Max. O corredor continuou fazendo estragos na defesa corintiano e correu 25 jardas para deixar o Breakers a duas jardas do touchdown, convertido na sequência pelo quarterback Julian Banks. 

Na volta do intervalo, o Corinthians esboçou uma reação, mas esbarrou na forte defesa do Breakers. Com uma boa vantagem no placar, Banks marcou seu segundo touchdown e Jacob Payne marcou outro após interceptar o quarterback do Steamrollers. O único touchdown do Corinthians veio com Thiago, mas era tarde para uma reação, 26 a 7 para o embalado Breakers. 

Com mais uma atuação sólida, o Breakers venceu o Tubarões do Cerrado em Brasília por 48 a 7, com touchdowns do Tiago Dalcanale (3x), André Passos, Rhuan, Jacob Payne e Julian Banks. Na rodada seguinte, o Breakers deveria ter enfrentado o Ipatinga Tigres em casa, mas o time mineiro não chegou a tempo. O Breakers esperou mais que o tempo estabelecido na regra, 30 minutos, mas após três horas decidiu aceitar o W.O. 

Já classificado para os playoffs, o Breakers recebeu o Porto Alegre Bulls e mais uma vez aplicou um placar elástico na temporada. Sem seu quarterback titular em campo, o Breakers improvisou o wide receiver Tiago Dalcanale na posição. O jogador passou para três touchdowns e correu para outros dois. Os demais touchdowns do Breakers foram feitos pelo Motta, Pinga, Bruno Francisconi, Maximiano e Rodolfo Bolinelli, além de um safety e um field goal do Guyoti. 

Os playoffs 

O Breakers se classificou para os playoffs com o melhor ataque e a melhor defesa da competição, o Breakers chegou nos playoffs como o time a ser batido. O adversário nas quartas de finais era o T-Rex, que mais uma vez enfrentou o Breakers em Jaraguá. O primeiro quarto foi marcado por uma longa campanha do Breakers, que terminou com uma corrida de 15 jardas do Julian Banks para o touchdown. O T-Rex foi para cima no segundo quarto e conseguiu a virada com uma corrida do americano Jordan, 7 a 6. A comemoração do Rex não durou muito, o Breakers avançou rapidamente e finalizou com  um belo passe do Banks para Dalcanale, 12 a 7. O Breakers aumentou a vantagem ainda  no primeiro tempo após Banks passar para o wide receiver Rodrigo Mota, 19 a 7. 

As equipes abusaram das faltas no segundo tempo e não conseguiram avançar. No final da partida, o quarterback Jordan correu para o touchdown e diminuiu a diferença para uma posse de bola. O T-Rex tentou a virada, mas a forte defesa do Breakers não cedeu mais nenhum ponto, 19 a 13. 

Pela primeira vez na semifinal, o Breakers voltou a enfrentar o Vasco da Gama Patriotas, seu algoz na temporada anterior. Empurrados por sua fanática torcida, o Breakers começaram ganhando com um touchdown corrido do quarterback Julian Banks. O placar permaneceu inalterado no segundo quarto e em boa parte do terceiro, até Banks correr para mais um touchdown. O Patriotas não conseguia avançar, cometia muitas faltas e sofria com os turnovers. No final, o kicker/quarterback Jackson Kestring fechou o placar com um field goal, 15 a 0. 

A final 

Com mais de 5 mil pessoas no Estádio João Marcatto e transmissão ao vivo para todo o país, Jaraguá Breakers e Flamengo Imperadores protagonizaram um verdadeiro espetáculo. A chuva parecia decidida a atrapalhar o jogo, o que defato aconteceu no primeiro quarto. O jogo aéreo de ambas as equipes foi prejudicado e ambas abusaram das corridas, que esbarravam nas fortes defesas. O placar foi inaugurado ainda no primeiro quarto como field goal do kicker Cebola, 3 a 0 Flamengo. 

A chuva continuou no segundo quarto e os dois ataques não produziram grandes jogadas. A chuva se foi no terceiro quarto e o jogo ficou mais aberto. No primeiro drive, o quarterback Julian Banks estava sendo constantemente pressionado, mas conseguiu sair do pocker e passar para Jacob Payne, que por pouco não foi interceptado, correr até a end zone e virar a partida, 8 a 3 após a conversão de dois pontos do Everton. 

O time do Flamengo não se abateu e foi atrás da virada. Após um bom retorno, o Flamengo iniciou sua campanha na linha de 37 jardas do seu campo e chegou na end zone três jogadas depois. O quarterback Mamão encontrou o wide receiver Palmito livre para marcar o touchdown, seguido de uma conversão de dois pontos do mesmo jogador, 11 a 8 Flamengo. 

O jogo continuou muito físico e o Breakers estava jogando contra o relógio. Faltavam 29 segundos para o fim da partida e o Breakers estava em uma terceira para 13 na linha de 33 jardas do campo de ataque. Julian Banks lançou a bola e quase foi interceptado. O Brekers decidiu ir para o field goal com o quarterback/kicker Jackson Kestring, que iniciou sua trajetória no Breakers em 2008, jogou no Istepôs de 2009 a 2011 e ganhou destaque no Corupá Buffalos em 2012, quando foi campeão e MVP do Catarinense. 

O chute era arriscado, 51 jardas, mas era tudo ou nada. Kestring foi para o chute, a bola tinha direção, mas não força para alcançar seu objetivo. Para a sorte do Breakers, o Flamengo utilizou a tática do “icing the kicker” e pediu um timeout. Com uma nova oportunidade, o Breakers desiste de chutar e vai para a Hail Mary. Kestring volta como quarterback, pede o snap, fica alguns segundos no pocket e joga a bola para o alto no exato momento que a pressão estava chegando. A bola não teve força suficiente para chegar na end zone, mas Jacob Payne disputa a bola com o defensor do Flamengo, rebate ela para o alto e pega para o touchdown. O Flamengo ainda tentou retornar, mas foi parado pelo Breakers, campeão invicto do Torneio Touchdown. 

A defesa do título 

Mesmo sem muitos dos reforços da última temporada, o Breakers ainda era o time a ser batido, o que não demorou muito para acontecer. O time catarinense estreou em casa contra o Paraná HP, resultado da fusão do Curitiba Hurricanes e Predadores. O time “novato” não se intimidou e venceu o atual campeão por 24 a 20. 

A segunda partida era um remake da final de 2013, mas dessa vez no Rio de Janeiro. Muito desfalcado e repleto de jogadores improvisados, o Breakers não se abateu e foi para cima dos Rubro-negros. O wide receiver Tiago Dalcanale foi um dos destaques da partida e, quando necessário, atuou como quarterback e cornerback, mesmo estando com duas costelas fissuradas. A secundária catarinense estava muito bem na partida e o cornerback José Castilho conseguiu uma interceptação, resultou em um touchdown do wide receiver Leandro Gabriel após um passe do quarterback Kestring, que também converteu o extra point. 

O segundo touchdown do Breakers veio no retorno de kickoff no início do terceiro quarto. O americano Frank Miles correu 98 jardas para o touchdown e Dalcanale anotou mais dois pontos, 15 a 0. O Flamengo estava muito desfalcado, principalmente na defesa, e tentou uma reação com as ótimas corridas dos running backs Double F. e Rato, que conseguiu marcar um touchdown com uma corrida de 2 jardas, 15 a 7. O Flamengo teve diversas oportunidades para empatar no último quarto, mas esbarrou na ótima defesa catarinense e nos passes incompletos. Final, 15 a 7 para o Breakers. 

Na rodada seguinte, recebeu o Juventude FA no João Marcatto e venceu com tranquilidade por 61 a 7. Destaque para o americano Frank Miles, que marcou três touchdowns, e para o running back Betling, que chegou a endzone em duas oportunidades. Na quarta partida, viajou até Ibirité/MG e derrotou sem dificuldades o Minas Locomotiva por 28 a 0. 

O empolgante Botafogo FA era o próximo adversário do Breakers. O jogo foi muito equilibrado do início ao fim. O primeiro tempo foi dominado pelas defesas. O Breakers segurou o forte jogo corrido do Botafogo, que conseguiu neutralizar os bons recebedores do Jaraguá. O placar permaneceu inalterado durante o primeiro tempo e em parte do terceiro quarto, até o Breakers abrir o placar com o wide receiver Jhonatan Lopes, sem extra point. 

Toda emoção ficou guardada para o último quarto. As defesas cansaram e os ataques se aproveitaram para marcar pontos. O Botafogo abusou das jogadas com o running back Aluan, que marcou o touchdown após correr 8 jardas, Thiago Torres virou a partida com o extra pont, 7 a 6. Pouco depois, o Botafogo voltou para o ataque e Aluan continuou fazendo estragos. O corredor correu mis 5 jardas e entrou na end zone pela segunda vez, Torres acertou mais um extra point na sequência. 

A reação do Jaraguá Breakers veio no drive seguinte. O ataque conseguiu bons avanços e Kestring passou para o wide receiver Rodolfo Bolineli, que correu até a end zone. O empate veio com a conversão de dois pontos com o Jhonatan Lopes, 14 a 14. Pela primeira vez na temporada um jogo foi para a prorrogação. 

O Botafogo começou no ataque e não tentou fazer nada de diferente, colocou Aluan para correr e marcou mais um touchdown. O Breakers não conseguiu executar bem suas jogadas e não pontuou, 20 a 14 para o time carioca. 

O Breakers estava pressionado e não dependia mais de si para se classificar para os playoffs. Na penúltima rodada fez sua parte e derrotou o Bulls com muita facilidade, mas a vitória do Paraná HP contra o Juventude complicou a situação do time. O Breakers precisava vencer com uma boa vantagem o T-Rex e torcer para o HP perder para o Bulls, que tinha a pior defesa da competição. 

O jogo aconteceu em Timbó e o time da casa não perdeu tempo, abriu o placar com um retorno de kickoff do Magrão e ampliou com o quarterback Jordan Perry. O Breakers reagiu com dois touchdowns corridos do quarterback Jackson Kestring e empatou a partida. No último quarto, Perry passou para o tight end André Lang e colocou o Rex na frente mais uma vez, 20 a 14. O Breakers assumiu a liderança com uma corrida do running back Buiu, mas o Rex deu o troco com a mesma moeda, Clair José marcou  o touchdown da virada contra seu ex-time, 26 a 21. O Breakers ainda tentou uma reação, mas Kestring foi interceptado pelo Andrew Bernardini. Para fechar o placar, Perry marcou mais um touchdown corrido, 32 a 21. Com a derrota, o Breakers foi eliminado ainda na primeira fase do Torneio Touchdown. 

A “última” temporada 

A temporada de 2015 começou com a vitória contra o Brown Spiders, 28 a 7, mas o time catarinense esbarrou mais uma vez no Paraná HP, que venceu por 18 a 9. O Breakers sofreu com o excesso de faltas e a contusão de dois dos seus principais jogadores, o quarterback Jackson Kestring, que não voltou para a partida, e o running back Buiu, que assumiu o posto de quarterback no sacrifício. Buiu lançou um touchdown para o americano Philander Browder e acabou sendo interceptado duas vezes para o touchdown. 

Na rodada seguinte viajou para Ribeirão Preto  venceu o Botafogo Challengers com dificuldade, 1 4 a 7. O próximo desafio era com o T-Rex, atual vice-campeão e grande adversário do Breakers. O nível do jogo foi altíssimo e decidido nos últimos minutos. Com pouco mais de 5 minutos para acabar a partida, o Rex marcou o touchdown, aumentando a diferença para duas posses. Na jogada seguinte, o Breakers conseguiu “quebrar” a defesa do Rex e diminui a vantagem para uma posse. O jogo estava aberto e o Jaraguá tentou um onside kick, que não teve sucesso. 

No dia 10 de outubro foi a vez de enfrentar o Flamengo mais uma vez no Estádio João Marcatto, da última vez que se enfrentaram no estádio, o Breakers se sagrou campeão brasileiro. Os jogos entre os dois times sempre são muito disputados e não foi diferente dessa vez. Mesmo com poucos atletas no elenco e sem os três americanos contratados no início da temporada, o Breakers começou ganhando com um touchdown do wide receiver Everton Gnewuch e ampliou com um field goal do Kestring, que sucedeu uma bela interceptação feita pelo Tiago Dalcanale, que estava improvisado na posição de cornerback. No segundo tempo o Flamengo voltou mais agressivo e virou a partida com um touchdown do quarterback KC Frost e do running back Yolandus Pratt, 13 a 10 para o time carioca. 

Mesmo com todas as dificuldades financeiras e de elenco, o Breakers conseguiu vencer o Corinthians Steamrollers por 31 a 15 em São Paulo e o Juventude FA por 30 a 0 em casa. Nos playoffs, enfrentou o T-Rex e não foi páreo para o forte ataque timboense, 60 a 0. 

O hiato 

O Breakers terminou a temporada de 2015 com muitos problemas financeiros e de elenco, o que se estendeu para 2016. Em março, o time anunciou uma parceria com o Redlions Football, nova encarnação do Joinville Panzers, o primeiro time do estado, desativado desde 2008. Os jogadores de Joinville disputariam o Torneio Touchdown com o Breakers, mas isso nunca aconteceu. 

O Torneio Touchdown deixou de existir em 2016, mas mesmo antes do anúncio, o Breakers soltou uma nota informando que não disputaria campeonatos no ano, alegando problemas financeiros. A nota deixa clara a intenção de uma pausa para a recomposição do time. Segue um trecho: “Aos fãs, sócios e familiares deixamos claro que competiremos em 2017, e esta é sim nossa prioridade com todos vocês. Independente de estarmos em campo ou não este ano, estaremos trabalhando arduamente para nossa recomposição.” 

O retorno 

Como prometido, o Breakers voltou em 2017 e jogou o Campeonato Catarinense pela primeira vez desde 2012. O começo do torneio parecia promissor, venceu o Joinville Gladiators e o Itajaí Dockers. Na última partida da fase de grupos enfrentou o São José Istepôs e perdeu por 6 a 2, em um dia que ambas as equipes não produziram ofensivamente. Nos playoffs enfrentou o T-Rex e perdeu por 10 a 7. 

O retorno para o certame nacional foi na Liga Nacional, divisão de acesso do futebol americano nacional. A estreia foi contra o Maringá Pyros. A partida foi um festival de turnovers, principalmente de interceptações. As duas equipes não conseguiam desenvolver jogadas no ataque, fazendo com que a partida terminasse zerada. No overtime, o Breakers marcou o touchdown com o veterano running back Buiu. 

Na segunda rodada, viajou para Foz do Iguaçu/PR e venceu o Black Sharks por 37 a 10, com touchdowns Everton Gnewuch (2x), Pinga, Buiu e Rodrigues. Na rodada seguinte, venceu o Joinville Gladiators por 24 a 7 e garantiu a vaga antecipada aos playoffs. A última rodada da Liga Nacional aconteceu no Estádio João Marcatto, onde o time não jogava desde 2015, e finalizou com chave de ouro a fase de grupos. O Curitiba Lions não foi páreo para o ataque catarinense e perdeu por 57 a 0, com destaque para os quatro touchdowns do Buiu. 

O primeiro adversário nos playoffs foi o Bento Gonçalves Snakes e os gaúchos não conseguiram conter o ataque catarinense, 21 a 0. A vaga na BFA, a elite do futebol americano nacional estava próxima, mas o adversário era o forte Black Hawks, também de Santa Catarina. O Jaraguá Breakers que começou a partida em um ritmo alucinante e marcou o touchdown com o running back Giovane “Buiu” Takanage. A resposta do Black Hawks foi rápida, o quarterback Leandro Carraro correu 8 jardas e marcou o touchdown, 7 a 7 após o extra point. 

Após um punt no início do segundo quarto, o special team do Breakers forçou um fumble e o outside linebacker Bruno Gabriel Graf recuperou dentro da end zone, 13 a 7. O Black Hawks não demorou muito para dar o troco, Carraro passou para o wide receiver Lucas Oliveira, que entrou na end zone para virar a partida após o extra point, 14 a 13. Buiu deixou o Breakers na frente mais uma vez com um touchdown e a conversão de dois pontos, 21 a 14. 

No último quarto, o defensive tackle Edgar Russo bloqueou um punt e o defensive line Rafael Hamann recuperou para o touchdown, colocando o Black Hawks na partida novamente, 21 a 20. O Breakers poderia ter aumentado a vantagem, mas o kicker Castilho errou o field goal de 35 jardas. O ataque do Black Hawks teve mais uma chance para virar a partida e desperdiçou. Faltando 17 segundo para o fim da partida, o kicker Lessa errou um field goal de 38 jardas. O Jaraguá Breakers estava devolta a elite do futebol americano nacional. 

A Liga Nacional ainda não tinha chegado ao fim, o Breakers agora pensava no título da Liga. Na semifinal do torneio, enfrentou o Juiz de Fora Imperadores, que começou parando o forte jogo terrestre do Breakers. Mesmo sem sua principal arma surtindo efeito, o experiente quarterback Jackson Kestring tinha a sua disposição um corpo de recedores muito qualificado. O primeiro touchdown da partida aconteceu após Kestring passar para o tight end Pinga. O Breakers conseguiu conter o forte ataque mineiro e ampliou com o running back Richard, 14 a 0. 

O Imperadores voltou melhor no terceiro quarto e comandados pelo quarterback KC Frost, chegou ao touchdown com o running back Forratine, 14 a 7. No drive seguinte, Kestring variou bastante as jogadas e conseguiu avançar no campo, até que encontrou o experiente Everton Gnewuch na end zone, 21 a 7. O Imperadores partiu para o tudo ou nada no último quarto e pressionou bastante o time catarinense, marcando seu segundo touchdown com o tight end Rafael,  mas era tarde, 21 a 14 para o Breakers. 

A final da Liga Nacional seria contra o Sorriso Hornets em Sorriso/MT. O Breakers largou na frente com um field goal do kicker Mucury, mas o Hornets reagiu rapidamente e virou a partida com os touchdowns do Pacheco e Tharcísio. O Breakers iniciou uma reação no último quarto com o touchdown do Everton Gnewuch e conseguiu retornar a campo com menos de dois minutos para o fim da partida.  Com pouco tempo no relógio, o Breakers precisava de uma big play, mas Kestring acabou sendo interceptado. 

O retorno a elite 

Historicamento o Breakers nunca teve grandes campanhas no Campeonato Catarinense e em 2018 não seria diferente. A temporada começou com uma vitória contra o Corupá Buffalos, 14 a 7; seguido de uma derrota para o Istepôs, 13 a 0, e outra para o T-Rex, 33 a 3. Na última rodada, o Breakers deu um show ofensivo no Tubarão Predadores e venceu por 79 a 0, com touchdowns do Francisconi (2x), Richard (2x), Carlinhos (2x), Mayer, Castilho, Gnewuch, Amorim e Mucury, além de um field goal de Castilho. 

Nos playoffs, visitou o São José Istepôs e não teve chances. A defesa Istepôs começou marcando um safety, seguido de uma big play do Girolometto Jr., que marcou mais um touchdown antes do fim do primeiro quarto. Com uma vantagem de 16 a 0 construída no começo da partida, o Istepôs começou a cadenciar a partida. No terceiro quarto, Matheus Vedana ampliou a vantagem para 23 a 0. 

A estreia na BFA aconteceu no dia 5 de agosto, em Schroeder/SC, contra o T-Rex. O Breakers começou abusando do jogo corrido com o running back Max e por pouco não marcou seu primeiro touchdown ainda no primeiro quarto. A defesa do Rex conseguiu segurar as investidas do Breakers, que se contentou com um field goal do Castilho. O Rex reagiu no começo do segundo quarto com um touchdown do wide receiver Marlos, mas o Breakers reassumiu a liderança logo na sequência com o wide Lucas Fidelis. O Rex não se intimidou e marcou dois touchdowns com o quarterback Bassani e o running back Well Garcia, 21 a 10. O time timboense voltou implacável no segundo tempo e não deu chances para o Breakers, foram mais quatro touchdowns do Well Garcia, do fullback Everton “Pingo” Antero, Texugo e Bechtold, finalizando a partida em 49 a 10. 

Contra o Coritiba Crocodiles, o Breakers começou em desvantagem, o safety Rocha recuperou um fumble do ataque catarinense e deixou Drew Banks a 4 jardas do touchdown, que foi capitalizado no primeiro snap com o wide receiver Domit, extra point convertido pelo kicker Paglia. O Crocodiles voltou a pontuar com o wide Adan ‘Ocho Nueve’ Rodriguez, que quebrou vários tackles e correu 55 jardas para entrar na end zone. O ataque do Breakers não conseguia furar a forte defesa do Crocodiles e a defesa não conseguia parar o forte jogo aéreo curitibano. O Crocodiles aumentou a vantagem com o wide Athos Daniel Jr. e com o defensive end Delmer Zoschke, que recuperou um fumble e retornou para o touchdown. O Breakers diminui a desvantagem no último quarto com o safety Guilherme Wielewski, após o mesmo recuperar um fumble do running back Bruno Santucci. Final 27 a 6 para o Crocodiles. 

O jogo seguinte foi contra o Santa Maria Soldiers, em Santa Maria/RS e por pouco a partida não aconteceu devido as fortes chuvas na cidade. O campo estava muito molhado no início e com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais lamacento, forçando as duas equipes a priorizarem o jogo terrestre. A única pontuação da partida foi um field goal do kicker Santana, que decretou a vitória do time da casa ainda no primeiro quarto, 3 a 0. 

O próximo adversário era o Juventude FA em Schroeder. O time gaúcho nunca fez frente ao Breakers e perdeu as três partidas que disputaram por placares elásticos, sendo a última em 2015 pelo Torneio Touchdown, a última vitória do Breakers na elite nacional. Coincidentemente, o Breakers voltou a vencer na elite exatamente contra o Juventude, 7 a 0. A partida seguinte era fundamental para o Breakers, que precisava vencer para continuar sonhando com os playoffs. O adversário era o Paraná HP, que não deu chances para os catarinenses, abrindo o placar logo no seu primeiro drive com uma recepção do wide receiver Tony e o extra point do kicker Lucas Copi.

O ataque do Breakers sofreu dois turnovers, um fumble e uma interceptação, o primeiro foi capitalizado jogadas depois com o wide Duilham dos Santos e o segundo com uma corrida do quarterback Mateus. O Breakers esboçou uma reação no segundo período, mas as faltas ofensivas prejudicaram o avanço da equipe, que se contentou com o field goal do kicker Mucury, 21 a 3. O terceiro quarto foi o mais morno da partida, que voltou a esquentar nos 12 minutos finais. O HP se aproveitou dos turnovers do Breakers e marcou cinco touchdowns na etapa final com Dos Santos, Carlos Oliveira, Bauer, Taurus e Manchete. Final 57 a 3. 

Já eliminado, enfrentou, em Schroeder, o Istepôs, que começou na frente com o touchdown do Gustavo Laurentino. As duas passaram o segundo e terceiro quartos sem pontuar. O Breakers empatou no último quarto com o wide receiver Everton Gnewuch e virou a partida com o field goal do Castilho. Final 9 a 6 para o Breakers.